Vento de tornado que atingiu São José dos Pinhais alcançou 180 km/h e é classificado como F2, diz Simepar

  • 11/01/2026
(Foto: Reprodução)
Destelhamentos, queda de árvores e muros: tornado em São José dos Pinhais causa estragos A intensidade do tornado que atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (10), foi classificado como F2 na Escala Fujita, que vai até cinco, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Assista acima. De acordo com o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão. "Essa escala [F2] vai de 180 km/h até 220 km/h. Então, a gente classifica o tornado como F2 na escala mais baixa, de aproximadamente 180 km/h", disse o meteorologista Leonardo Furlan. ✅ Clique aqui e siga o g1 PR no WhatsApp A classificação feita pela Escala Fujita é usada no Brasil para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados. Quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno. A escala vai de F0 a F5. Trajetória do tornado Reprodução/Simepar “Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos aqui na região. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo, sua circulação interagia com o solo configurando o tornado, e em outros momentos ela subia e o dano não era identificado. Ou seja, os danos foram pontuais”, explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar. Segundo ele, a célula de tempestade mais severa se desenvolveu no fim da tarde sobre Almirante Tamandaré e Colombo, se deslocou sobre Curitiba provocando ventos intensos e precipitação de granizo, e foi até São José dos Pinhais. Depois, a mesma célula de tempestade ainda seguiu o trajeto até o Litoral paranaense, ocasionando forte tempestade na região de Guaratuba e Matinhos. "No sábado (10) o tempo estava bastante instável no Paraná, com muita oferta de calor e umidade, e impactado por um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e Rio Grande do Sul, mas que se deslocou para o oceano. A mudança dos ventos em altitude também favoreceu a ocorrência de pancadas de chuva e tempestades em toda a faixa Leste do Paraná", explica o Simepar. Nuvem funil X tornado: Entenda diferenças entre os dois fenômenos registrados no Paraná O tornado provocou diversos estragos no município, principalmente no bairro Guatupê. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado de sábado atingiu 350 residências e impactou 1,2 mil pessoas. Duas pessoas ficaram levemente feridas. O bairro Guatupê foi um dos mais atingidos pelo fenômeno. Na região e em outros bairros próximos, as equipes registraram quedas de árvores, danos à rede elétrica, desabamento de muros e a queda de telhado e pilares de uma empresa. Ao todo, duas famílias ficaram desalojadas. Para atender os moradores atingidos, os bombeiros e a Defesa Civil entregaram 92 lonas para famílias da região. Tornado São Jose dos Pinhais Reprodução Em nota, a Prefeitura de São José dos Pinhais informou que atua no atendimento às ocorrências registradas e realizam vistorias técnicas, com o objetivo de avaliar riscos estruturais e definir as medidas necessárias para assegurar a segurança dos moradores. "A Prefeitura de São José dos Pinhais permanece com monitoramento contínuo e equipes de prontidão, e seguirá acompanhando a situação, adotando todas as medidas necessárias para minimizar os impactos e prestar o suporte adequado à população", diz a nota. Leia também: Prudentópolis: Fazendeiro é multado em R$ 112 mil por destruir florestas nativas Por que seguir rio, quando se perder, não é opção mais segura? Especialista explica que ficar parado é melhor estratégia Luta contra o câncer: Quem era a influenciadora Isabel Veloso, que morreu aos 19 anos Como funciona a classificação Existem duas formas principais de classificar tornados, a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF). No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente. O Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional. De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos (NWS), a análise é feita a partir dos estragos deixados pelo tornado. Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos. A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação. Escala Fujita (F) F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema Escala Fujita Aprimorada A Escala Fujita Aprimorada (EF) é usada oficialmente em países como os Estados Unidos desde 2007. Ela também vai de EF0 a EF5 e segue o mesmo princípio de estimar a força do tornado a partir dos danos observados, não de medições diretas do vento. Segundo o NWS, essa escala utiliza uma lista de 28 indicadores de danos, que incluem diferentes tipos de construções e estruturas. Cada indicador recebe uma pontuação, e o conjunto dessas informações define a categoria final do tornado. Além disso, por ter sido desenvolvido nos EUA, a escala leva em conta as práticas construtivas americanas, que não refletem necessariamente as utilizadas no Brasil. Ao contrário daqui, as casas nos EUA não costumam ser feitas em alvenaria, por exemplo. Por esse motivo, os profissionais que fazem as medições em outros países precisam adaptar os parâmetros para estimar a velocidade dos ventos. Nuvem em formato de funil Nuvem em formato de funil assusta moradores na Grande Curitiba Reprodução Uma grande nuvem em formato de funil assustou os moradores, que fizeram imagens que mostram pedaços de galhos e outros itens voando em movimentos circulares. A forte chuva registrada na região também derrubou pelo menos 57 árvores em Curitiba - onde os ventos se aproximaram de 70 km/h ao longo do dia. Todo o estado do Paraná está sob alerta laranja de tempestades. Emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia, ele avisa sobre o perigo de temporais ainda na manhã deste domingo (11). VEJA TAMBÉM: Andaime de prédio em construção cai em carro e em poste, e cidade fica com 20 mil imóveis e 100 semáforos sem luz no PR O meteorologista Reinaldo Kneib destaca que um dos motivos para os temporais deste fim de semana é a formação de um ciclone extratropical, que atua entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Apesar de não passar pelo Paraná, ele está aumentando a instabilidade no estado. “A combinação de calor e umidade favorece as chuvas de verão, aquelas chuvas rápidas no período da tarde. Algumas vezes elas vêm associadas com queda de granizo, rajadas de vento moderados e ocasionalmente fortes, e bastante incidência de raios”, detalha. Durante o domingo, a área de baixa pressão se afasta em direção ao oceano, na altura do litoral uruguaio, mas segue mantendo os índices de instabilidade elevados no Paraná. Por isso, permanece a previsão de temporais com chuva, raios e ventos fortes sobre a maior parte do estado. Veja no mapa abaixo. Previsão do tempo para o Paraná no domingo (11) Simepar 📞Telefones para emergências Em caso de emergências, informações devem ser consultadas junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, e ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Problemas relacionados a cortes no fornecimento de energia e quedas de postes devem ser relatados à Copel pelo telefone 0800 51 00 116. Os paranaenses também podem receber no próprio celular alertas e informações da Defesa Civil do Paraná sobre risco de mau tempo na própria região: basta enviar um SMS com o CEP da região para o número 40199. A Defesa Civil responde com mensagem de confirmação do cadastro e a partir deste momento a pessoa passa a receber alertas periódicos sobre as situações de maior gravidade no local indicado. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Paraná

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/11/tornado-em-sao-jose-dos-pinhais-classificacao.ghtml


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